Sabe aqueles dias que parece que não era pra gente ter acordado? Digamos que hoje foi um típico dia trágico. Mas não vou detalhá-lo, pois corro o risco de passar raiva duas vezes. Quero apenas demonstrar meus sentimentos em relação a isso, ou melhor, desabafar.
Tentei não reclamar diante as malfeitorias do nosso terrível Murphy... É isso mesmo que você está pensando, a famosa lei de Murphy, que acredito que você já conheça. Pois é, e assim foi o dia. Um acontecimento trágico seguido de outro.
Nessas horas a vontade que se tem é de sair correndo pra casa, se enfiar debaixo de uma coberta e esperar que o dia acabe logo, e que se possa ver o lindo sol de um novo dia que chega. Mas isso não foi possível. Tinha que voltar pra casa, mas temia o que ainda estava por vir.
Tentei então burlar o infalível destino e resolvi pegar uma carona pra fugir do trânsito e daquelas famosas pegadinhas da vida, que insiste em nos fazer perder o juízo nesses terríveis engarrafamentos. Tive então a brilhante ideia de ligar para minha irmã e suplicar por uma carona.
Até que consegui driblá-lo (o destino) um pouco. Consegui me desviar da emboscada que o sorrateiro Murphy preparava mais à frente, mas não consegui atrasá-lo com suas travessuras.
Mais tarde uma pessoa (especial inclusive) iria me visitar. Será que ali o engraçadinho Murphy colocaria suas asinhas de fora e me daria o troco por tê-lo enganado anteriormente no trânsito? Será que ele aprontaria algo pra mim, para enfim encerrar o dia com chave de ouro?
Pensei comigo – mas quem sabe de repente, essa visita pode ser o que pode salvar o dia? Já que tive um dia assim tão conturbado é possível que a visita dessa adorável pessoa possa, enfim, me fazer sentir melhor, já que tal pessoa é tão amável e me traz bem-estar – não via então porque temer. Quem sabe isso pudesse apagar o que tinha sido aquele dia merecedor de esquecimento.
Mas eis que Murphy se esquiva daqui, tenta entrar por ali, não acha abertura, pois tudo segue perfeitamente bem. Penso até que ele desistiu, foi embora e pensa em voltar em uma outra ocasião. Mas não, ele não desistiu.
Eu, sei lá se por impulso ou se por a mando dele começo a relembrá-lo durante todo o dia e conto a essa pessoa como foi o dia, ou seja, péssimo! Daí, ele (o terrível e abominável Murphy) ganha força e se mostra mais forte do que durante todo o dia. Ele consegue assustar essa tal pessoa (lógico, depois dessa trágica estória grega, até eu me assustaria), que imediatamente tenta se livrar do carma, ou seja, eu, para não fazer parte dessa infeliz história.
No entanto, tudo que não queria neste dia era que tivesse sido assim. Não apenas o que aconteceu durante todo o dia, mas sim o final. Queria que tivesse sido diferente, queria não ter falado desse bendito dia, queria ter esquecido o Murphy naquele momento em que estava contente. Talvez eu coloquei a perder algo que há alguns dias estava preenchendo parte do meu dia e que estava me fazendo muito bem. Não sei se isso que foi bom durante o dia ruim retorna, mas confesso muito que quero, e quero muito. Mas não sei se ainda é possível. Que trágico! E isso tudo por causa desse dia ruim...

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